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Equipe
brasileira conquistou uma nova rota em uma das paredes mais inóspitas do
planeta. Leia a resenha no
Blog
da Expedição.

Localização da via brasileira com as bases
assinaladas. Foto: Marcio Bruno

Localização da via brasileira com as bases
assinaladas. Foto: Marcio Bruno
Com sua área mais extensa na Venezuela e na Guiana do que no Brasil,
ainda assim o Monte Roraima, que fica na região conhecida do “Cabeça
do cachorro” é um dos pontos culminantes do Brasil, com 2.875m de
altitude. Uma das áreas mais antigas e desconhecidas, o Monte
Roraima, em uma área de aproximadamente 500.000 km², está cercado
por Floresta Amazônica onde se encontra uma grande diversidade de
fauna e de flora.
A região foi transformada em no
Parque Nacional do Monte Roraima em 1989. O lado venezuelano também
é protegido por lei, assim como todos os demais tepuys. O tempo
parece ter parado no alto das incríveis montanhas erguidas naquela
região. Suas formas cilíndricas com incríveis paredões cor de terra
sustentam imensos platôs, como se fossem mesas, chamadas de tepuys
pelos índios Pémon.
A Venezuela tem a vantagem de possuir a única trilha conhecida que
permite o acesso ao topo por caminhada, sem o uso de equipamentos. O
lado brasileiro do Roraima é uma muralha com dois grandes degraus,
sendo que o maior, tem mais de 400m de altura. Já pelo lado da
Guiana, as paredes são ainda mais difíceis de serem escaladas,
muitas vezes formando negativos, onde a rocha amarela (que de tão
negativa nunca é molhada pela chuva) vai do pé até quase o topo.
Durante as manhãs e tardes, a difração dos raios de luz dá às
paredes verticais uma tonalidade azulada. Talvez seja por isso que,
na língua dos índios Pémon, Roraima significa Montanha Azul. Como
nela habitam os seus deuses, os Pémon exigem silêncio no Roraima. Os
índios brasileiros acreditam que o Roraima é a morada de Macunaima,
um espírito guerreiro que mora dentro da montanha. Os gritos
incomodam os deuses e provocam tempestades e raios. Os índios nem
mesmo se aventuram perto da montanha com medo da ira de Macunaima.
Os primeiros exploradores, com certeza, ficaram assustados diante do
imenso paredão que isola o topo do Roraima. Várias expedições que
tentaram alcançá-lo foram mal sucedidas, diante das íngremes subidas
cheias de pedras e perigos, sem nenhuma alternativa de caminho. Nas
suas andanças para explorar o território da Guiana Inglesa, Sir
Walter Raleigh, no final do ano de 1500, deparou-se com os tepuis.
Não chegou a escalar o Roraima, mas em seu relato de viagem
registrou ter visto uma montanha recoberta de diamantes. Por isso, o
Monte Roraima ficou conhecido, pelos exploradores daquele tempo,
como a Montanha de Cristal.
Com certeza, o que o explorador inglês deve ter avistado de longe
foi uma grande quantidade de cristais de quartzo que, ainda hoje,
podem ser vistos espalhados por uma vasta área do Monte Roraima.
Em 1884, Everard Im Thurn, botânico inglês, após muitas tentativas,
conseguiu encontrar um caminho pelas encostas do monte. A rampa
encontrada por ele é uma espécie de degrau formado por um
desmoronamento das camadas de arenito.
No topo, numa encosta rochosa, chamada de "hotel", que projeta um
teto de 4 a 5m, há pequenas cavernas, protegidas do vento, do frio e
da umidade. Parece que o primeiro a usar esse lugar para descanso e
pouso foi o marechal Rondon, na pioneira expedição brasileira
demarcadora de fronteiras, em 1927.
Uma expedição composta pelos brasileiros Luiz Makoto Ishibe, Hugo
Armelin e o polonês Michel Bogdanowicz, abriu uma rota nesta face
brasileira em 1991, rota esta que nunca foi repetida. Existem muitas
outras vias de escalada na face da Venezuela, onde a parede é mais
acessível e menor que as da Proa. Nas paredes da Proa, ainda não
existem rotas brasileiras, apenas uma via inglesa de 1971, e duas
americanas, abertas nesta década.

Mapa de localização da Proa do monte Roraima.
Google maps

A proa, já no lado da Guiana.
Em janeiro de 2008 nossa equipe tentou abrir uma nova rota na face
brasileira da montanha, empreitada esta que contou com a ajuda da Força
Aérea Brasileira e do governo de Roraima. Chegando em Boa Vista,
conseguimos acessar por avião a aldeia de Caramambatai, a cerca de
50km em linha reta da base da montanha. Estávamos carregados com
mais de 160kg de equipamentos e víveres. Nossa tentativa se frustrou
devida à falta tempo para abrir um caminho tão longo na mata até a
base da montanha. Voltamos mais uma vez até Caramambatai, com um
helicóptero, mas o piloto não se atreveu a sequer chegar perto do
Monte Roraima. Tentamos em vão por mais por uma semana encontrar uma
maneira eficiente para chegar na base da parede
Com a estratégia repensada, decidimos atacar a montanha pela face da
Guiana, desta vez usando um helicóptero para atingir o ponto mais
próximo possível da montanha e de lá, começarmos a caminhada e a
escalada.Planejamos
ficar entre 10 e 12 dias na região, sendo que destes, 7 a 9 na
montanha, dormindo em redes de parede e arrastando para cima tudo o
que precisarmos para sobreviver na vertical.
Estamos levando todo o
equipamento de escalada e víveres para uma permanência de 10 dias.
No total, serão mais de 150kg que deverão ser içados montanha acima
por meio de sacos de arrasto e sistemas de polias.
A lista de equipamentos
excede os 1.000 itens. Além de 50 litros de água e equipamentos para
pernoite, serão aproximadamente 200m de cordas, 150
mosquetões, e vários jogos de friends, nuts, hooks e outros
equipamentos de proteção. Estaremos levando uma furadeira
BoschHammer GBH36v para garantir a rapidez na instalação de grampos
na rocha.Dormiremos em redes de parede que são desmontáveis e deste
modo, mesmo em paredes negativas, poderemos obter um mínimo de
conforto durante a noite.Nossa alimentação consistirá de alimentos
liofilizados, necessitando apenas de hidratação para serem
consumidos, ocupando assim menos espaço e peso.
Imagens de
divulgação livre.
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fotógrafo.
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Eliseu Frechou
escalando Asteroid, Igatu, Chapada Diamantina, BA.
Foto: Diogo Ruivo.
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Márcio Bruno
escalando Psycho man, Pedra da Divisa, São Bento do
Sapucaí, SP.
Foto: Eliseu Frechou.
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Fernando Leal
treinando na falésia dos Olhos, Brazópolis, MG.
Foto: Eliseu Frechou.
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Proa do Monte Roraima
vista de Caramambatai, RR Foto: Márcio Bruno
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